A Depressão tem sido um dos transtornos psicológicos mais discutidos e avaliados em decorrência da enorme quantidade de pessoas afetadas por ela. Caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida, gera angústia e prostração.
Segundo a OMS, a Depressão é considerada atualmente a quarta principal causa de incapacitação. Ela atinge pessoas de todas as idades e gêneros, embora seja mais frequente entre mulheres.
O desânimo causado pela Depressão é fruto de desequilíbrios bioquímicos no cérebro, como a diminuição da serotonina, que é um neurotransmissor ligado à sensação de bem-estar.
Todos nós conhecemos alguém que sofre ou sofreu de Depressão. Ou seja, faz sentido o Brasil configurar como a maior prevalência de Depressão na América Latina.
Sabemos hoje, que a depressão não promove apenas uma sensação de infelicidade crônica, mas também incita alterações fisiológicas, como baixas no sistema imunológico e o aumento de processos inflamatórios.

Os Principais Sintomas:
- Humor triste, ansioso ou “vazio;
- Desesperança ou pessimismo;
- Irritabilidade;
- Sentimento de culpa, inutilidade ou desamparo;
- Perda de interesse por atividades que antes provocavam prazer;
- Apatia ou embotamento afetivo;
- Fadiga ou sentimento de pouca energia;
- Alterações do sono;
- Alterações de apetite;
- Pensamentos sobre morte ou fim da vida;
- Isolamento social;
- Falta de concentração ou inquietação;
- Pensamentos negativos.
O Diagnóstico
Existem instrumentos padronizados, como por exemplo questionários e inventários que auxiliam a identificar os sintomas, mas um diagnóstico fidedigno depende da avaliação de profissionais da Psiquiatria e Psicologia. Parte do diagnóstico é feito através do histórico do paciente e de sua família, juntamente com a investigação profunda dos sinais e sintomas trazidos pelo paciente. A Depressão também é classificada de acordo com a sua intensidade, podendo ser considerada leve, moderada ou grave.
Os tratamentos
O curso da Depressão é incerto e pode durar semanas ou anos. Uma vez que o indivíduo passe por uma crise, o risco de enfrentar episódios semelhantes ao longo da vida é alto. Na maioria das vezes, o tratamento é feito em conjunto pelo psiquiatra e o psicólogo. Hoje contamos com diversos medicamentos antidepressivos seguros, graças à evolução da psicofarmacologia. Os antidepressivos agem diretamente sobre o sistema nervoso, atuando em importantes neurotransmissores associados ao bem-estar e melhoram o humor. É importante frisar que estes medicamentos não são iguais. Para entender como funcionam no organismo e que efeitos eles podem causar, é importante separá-los em classes. Assim, de acordo com o seu mecanismo de ação, o médico escolherá o mais adequado segundo o perfil do paciente. Além disso, os efeitos variam de pessoa para pessoa, por isso é comum perceber que alguns são ótimos para uns e não tão bons para outros.
Principais medicamentos antidepressivos:

Quebrando Tabu
Existe um grande preconceito contra os antidepressivos e isso se dá principalmente pela desinformação e propagação de inverdades sobre estes medicamentos. O medicamento é um suporte e tem um papel muito importante no tratamento de
depressões moderadas e graves.

Engana-se quem pensa que ele fará efeito no exato momento em que se comece o tratamento. A maioria deles, começará a ter parte do efeito desejado entre 20 a 30 dias após o início do tratamento. Antes disso, é possível que se perceba somente os efeitos colaterais. Esta desinformação sobre como agem os antidepressivos é responsável por boa parte da falta de adesão ao tratamento. Seja por pensamentos de que eles não “fazem efeito” ou por pensamentos relacionados a “vício e dependência”. As pesquisas nesta área têm avançado muito e, em consequência disso a maior parte dos medicamentos utilizados hoje é segura. Claro, quando prescrito pelo profissional adequado, preferencialmente o Psiquiatra ou o Neurologista.
Depressão segundo o Modelo Cognitivo

A terapia cognitiva parte do princípio de que a Depressão é resultado de pensamentos negativos sobre si mesmo, sobre o mundo e sobre o futuro. Chamamos isso de “Tríade Cognitiva da Depressão”.
Esta interpretação negativa sobre as coisas determina o comportamento e as emoções típicas da depressão. O indivíduo deprimido se percebe cheio de defeitos, indesejável e sem valor. Percebe o mundo como um lugar cheio de obstáculos e se vê derrotado em suas experiências. Além disso, a falta de perspectiva faz com que esta pessoa perceba o futuro como sombrio, cheio de sofrimentos e frustrações. Os sintomas afetivos e comportamentais da depressão são influenciados por padrões cognitivos negativistas, dando espaço a comportamentos de fuga, evitação e a paralisia da vontade. Tudo isto é resultado da desesperança que se instala, podendo culminar em ideação suicida. A apatia e a pouca energia, comuns na Depressão, são causadas pela crença de fracasso, onde o pensamento é o de que não se vale a pena tentar, pois o resultado fatalmente será mal sucedido, consolidando a perspectiva negativista sobre o futuro.
O Tratamento Cognitivo Comportamental da Depressão
Baseia-se na ativação comportamental e aumento de comportamentos que gerem gratificação e recompensa. Estimula as relações sociais, promove a melhora da autoestima e a diminuição da autocrítica.
O sucesso do tratamento se dá pelo incentivo dado ao paciente a ser seu próprio terapeuta, aprendendo a identificar e monitorar seus pensamentos e crenças negativas e a corrigi-las, transformando-as em uma visão mais realista das coisas.
REFERÊNCIAS:
BARLOW, David H. Manual Clínico dos Transtornos Psicológicos. Tratamento passo a passo. Artmed. 2016.
RANGÉ, Bernard. Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais. Artmed, 2001.
KNAPP, Paulo. Teoria Cognitivo Comportamental na prática psiquiátrica. Artmed. 2004.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Disponível em: http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5385:com-depressao-no-topo-da-lista-de-causas-de-problemas-de-saude-oms-lanca-a-campanha-vamos-conversar&Itemid=839. Acessado em: 27/03/2018.





