O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ANSIEDADE

Conhecida como o mal da vida moderna, a ansiedade é uma reação normal, comum aos seres humanos. É caracterizada por uma sensação de apreensão constante, e muitas vezes pode ser confundida com o medo. De maneira objetiva, podemos dizer que o medo é a emoção pura, de algo real, já a ansiedade é antecipatória, de algo que pode vir (ou não) a acontecer. Costuma-se dizer, que a ansiedade é um pagamento antecipado por um problema que você pode não ter. Mas, porque ela existe?

A ansiedade é um sentimento adaptativo e inerente aos seres humanos. Do ponto de vista evolutivo, podemos explicá-la a partir da hostilidade do ambiente onde viviam nossos ancestrais. Quando viviam nas cavernas, estavam sob constante ameaça e desenvolveram um mecanismo conhecido como “mecanismo de luta/fuga”, uma espécie de “modo de ameaça” que os mantinham preparados para atacar. Afinal, nunca sabiam quando uma ameaça poderia aparecer e estar preparado para reagir salvaria suas vidas.

De lá para cá, muita coisa mudou, e apesar de não lidarmos mais com as mesmas ameaças, convivemos com o estresse do dia a dia, e a forma como encaramos estes eventos do cotidiano, pode causar alterações na produção de hormônios ligados ao estresse, como o cortisol e causar sintomas físicos, como coração acelerado, suor, tremores, etc.

Normal x Patológico

A ansiedade normal, nos prepara para situações onde é necessário um nível maior de atenção, como em uma entrevista de emprego ou ao realizarmos uma prova importante. Ela nos mantém atentos, nos prepara e favorece a adaptação. Sentir-se ansioso nestas situações é normal. Todos nós nos sentimentos ansiosos em determinados momentos da vida. Mas então, quando ela se torna um problema?

A ansiedade passa a ser reconhecida como patológica (doentia) quando se torna desproporcional em relação ao estímulo e passa a afetar o funcionamento do indivíduo. O “modo de ameaça” é ativado mesmo em situações não ameaçadoras. De maneira simples, poderíamos dizer que a ansiedade passa a ser considerada patológica quando traz sofrimento emocional e prejuízo significativo para a vida do indivíduo. Estima-se que 23% da população sofra de algum Transtorno de Ansiedade (OMS). A ansiedade elevada, pode provocar ativação fisiológica, causando sintomas como: aumento da frequência cardíaca e respiratória, pensamento acelerado, sudorese, tremores, tontura, náusea, formigamento etc. É bastante comum nos referirmos a sintomas físicos para descrever a ansiedade, pois são eles os maiores causadores de desconforto e apontam que algo pode não estar bem.

Quando a ansiedade alcança seu ápice, podem ocorrer os chamados “ataques de pânico”, caracterizados por um surto ansioso abrupto, onde há um medo intenso e sintomas fisiológicos potencializados. É comum que ocorram medo de morrer, de enlouquecer ou medo de ter um ataque cardíaco. Acompanhados de sensação de sufocamento, tontura, náusea, calafrio, tremores, dor ou desconforto no peito, entre outros sintomas já mencionados. Os ataques de pânico geralmente duram de 20 a 40 minutos, causam grande sofrimento e são costumeiramente chamados de “sensação de morte eminente” por quem já passou por um. As pessoas costumam procurar um médico ou até mesmo o Pronto Socorro diante desde sintomas, e corriqueiramente os exames físicos não apontam “nada”. É importante salientar que ter um ataque de pânico, não significa ter o Transtorno do Pânico, existem outros Transtornos de Ansiedade que compartilham os mesmos sintomas, e para que o diagnóstico ocorra, é preciso levar em consideração uma série de critérios.

Por que eu sou ansioso?

Sabe-se que a genética desempenha algum papel nos transtornos de ansiedade, embora não seja possível provar que é resultado apenas disso. Isto é, ainda não foi identificado um “gene” para a ansiedade, mas pode-se dizer que o que se herda é a suscetibilidade a ser mais ansioso ou desenvolver algum Transtorno de Ansiedade.

Há uma hipótese de que os indivíduos herdem um tipo de temperamento, como timidez ou respostas hiperativas do sistema nervoso autônomo. Então, dependendo de uma variedade de circunstâncias de vida, tornam-se suscetíveis a desenvolver certos transtornos. Portanto, é provável que a suscetibilidade genética para um Transtorno de Ansiedade, por exemplo, torne-se real a partir de quando se atinja um limiar de influências ambientais.

Alguns traços de personalidade podem influenciar no desenvolvimento da ansiedade, entre eles, podemos citar: a tendência excessiva a preocupação, a necessidade de controle, as altas expectativas, o pensamento rígido, a repressão de sentimentos pessoais negativos, a dificuldade em relaxar ou de deixar o controle, o perfeccionismo e as grandes exigências consigo mesmo.

Isso não significa que pessoas com estas características terão algum Transtorno de Ansiedade, significa apenas, que elas podem ser mais propensas a ansiedade ou a desenvolver ansiedade patológica. Entre os transtornos relacionados à ansiedade mais comuns, estão a Ansiedade Generalizada (TAG) e o Transtorno do Pânico.

Como lidar com a ansiedade?

É comum que pessoas ansiosas tenham sintomas como: tensão muscular, respiração acelerada, agitação psicomotora e pensamento acelerado. O balançar de pés, tamborilar de dedos e ato de roer unhas também estão frequentemente relacionados a ansiedade. Para lidar com a ansiedade, antes de mais nada, é necessário identificar de que forma ela se manifesta em você. Muitas vezes estes sintomas não acontecem simultaneamente e em todos os casos.

Para auxiliar no controle da ansiedade, dois exercícios simples são bastante eficazes. O de respiração e o de relaxamento.

A respiração acelerada é responsável por grande parte dos sintomas fisiológicos da ansiedade. Ela faz a frequência cardíaca aumentar, podendo ocasionar tonturas, vertigens, etc. É necessário parar e observar como está seu padrão respiratório e corrigi-lo. A respiração diafragmática (aquela de quando éramos bebês) é excelente nestes casos, e proporciona sensação de bem estar e relaxamento. Na internet é possível encontrar o passo a passo de como fazê-la através de vídeos, mas resumidamente, consiste em respirar lentamente elevando a parte superior do abdome. Mas, se você não sabe como fazê-la, tentar respirar lentamente já ajuda bastante. Lentamente não significa profundamente, é errôneo pensar que a respiração profunda acalma, este tipo de respiração tende a causar hiperventilação, e a piorar o quadro ansioso. A respiração tem a capacidade de ajudar a controlar o corpo e mente, pois alivia a tensão e desacelera o cérebro fisiologicamente. Este exercício deve ser executado por pelo menos 10 minutos.

A tensão muscular pode ser aliviada com um banho quente, quando isso não for possível, exercícios de relaxamento corporal podem ajudar. Contrair e relaxar grupos musculares da cabeça aos pés, pode ajudar seu corpo a criar consciência de si mesmo, a sensação de contração seguida de relaxamento, ajuda a aliviar as tensões musculares causadas pelo estresse e ansiedade.

Pode parecer clichê, mas praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, evitar substâncias estimulantes como café, energético, alguns tipos de chás, e apostar em atividades que te dão prazer, são poderosos aliados na luta contra a ansiedade e muitos outros transtornos.

Referências:

BARLOW, David H. Manual Clínico dos Transtornos Psicológicos. Tratamento passo a passo. Artmed. 2016.

CLARK, D. A. & BECK, A. T. Terapia Cognitiva para os transtornos de ansiedade. Artmed. 2012.

LEAHY, R., TIRCH, D., NAPOLITANO, L.A. Regulação Emocional em Psicoterapia. Artmed, 2013.

RANGÉ, Bernard. Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais. Artmed, 2001.

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